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Nos próximos três anos, o programa ESA BIC será implementado em Portugal por dois consórcios liderados pelo Instituto Pedro Nunes e pelo Instituto Superior Técnico. O programa garante o apoio a start-ups, com financiamento assegurado pela subscrição portuguesa à ESA e por parceiros locais.
O ESA Business Incubation Centre (ESA BIC), programa de incubação da Agência Espacial Europeia (ESA), entra numa nova fase no ciclo 2026-2028 em Portugal, passando a contar com dois pólos: o Instituto Pedro Nunes (IPN) coordenará o ESA BIC Centro+, enquanto o Instituto Superior Técnico (IST) coordenará o ESA BIC Tagus+.
A implementação, em paralelo, de dois contratos, operacionalizados por consórcios liderados pelas duas instituições, reforça o programa nacional, integrado no programa ACCESS da ESA, focado na comercialização no setor espacial. No período 2014-2024, a coordenação do programa em Portugal foi assegurada pelo IPN, com uma rede de incubadoras em todo o país. Durante este período, a ESA BIC Portugal apoiou mais de 60 empresas.
Enquanto delegação nacional junto da ESA, a Agência Espacial Portuguesa definiu os objetivos de alto nível para o ESA BIC em Portugal e autorizou o financiamento necessário para o procedimento de contratação. A seleção dos dois consórcios foi da responsabilidade da ESA. “A implementação do ESA BIC Portugal através de dois consórcios, a operar em paralelo, reforça a capacidade nacional de incubação e apoia uma abordagem alargada, envolvendo novos centros de incubação e parceiros regionais”, considera Ricardo Conde, Presidente da Agência Espacial Portuguesa. “A governação por meio de um Conselho Consultivo e a existência de painéis de seleção asseguram coerência com as prioridades nacionais e com a ambição de reforçar a competitividade de Portugal nas cadeias de valor da ESA”.
A ADIST – Associação para o Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico lidera o consórcio que irá gerir o centro ESA BIC Tagus+. A operação do programa será assegurada com a Incubadora Taguspark e o Técnico Venture Lab (Oeiras) e com a Incubadora da Escola do Mar dos Açores (Horta), contando ainda com a participação da Câmara Municipal de Oeiras, do CEiiA e da Vieira de Almeida & Associados.
Joana Mendonça, Vice-Presidente do Técnico para o Campus Oeiras, sublinha a relevância estratégica do novo centro para a instituição e para o posicionamento de Portugal no setor espacial: “"A criação da ESA BIC Tagus+ representa um passo estratégico do Instituto Superior Técnico no reforço do papel de Portugal no setor do espaço. Ao articular excelência científica, empreendedorismo e uma forte rede de parceiros nacionais e internacionais, estamos a criar as condições para transformar conhecimento em impacto económico e societal, posicionando Oeiras e o Técnico como um polo de referência na nova economia espacial europeia".
A partir de Coimbra, o IPN liderará o consórcio responsável pelo ESA BIC Centro+, que inclui ainda o Centro Empresarial de Pampilhosa da Serra e o Incuba+ Santa Maria (Açores) como parceiros de incubação. O consórcio inclui também o Município de Coimbra, a CIM Região de Coimbra e o CCDRC, garantindo o alinhamento com as prioridades regionais e uma forte cobertura territorial.
Por parte do IPN, Jorge Pimenta sublinha a consolidação do setor espacial como uma prioridade da estratégia regional de especialização, sustentada pela produção de conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e formação de recursos humanos qualificados. “Para além do financiamento, o Instituto Pedro Nunes (IPN) disponibiliza às startups apoio técnico especializado, ancorado em mais de 30 anos de experiência em incubação, fortalecido com o acesso a laboratórios e a uma rede dedicada de incubadoras na região Centro, bem como a parceiros nacionais e internacionais. O IPN oferece as melhores condições para impulsionar o talento de empreendedores/as no desenvolvimento de soluções baseadas em tecnologia e dados espaciais.”, afirma o Diretor de Inovação do IPN.
Para a ESA, a evolução do programa em Portugal reforça a ambição de apoio ao empreendedorismo espacial. “Após mais de dez anos de atividade do ESA BIC, a iniciativa continua a potenciar o crescente esforço de Portugal no espaço através do empreendedorismo, criando empresas que respondem a desafios prementes no domínio espacial e no quotidiano. Com dois centros ESA BIC a operar agora em paralelo, reforçamos não só um percurso de crescimento sustentado para novas startups — apoiando a aceleração, internacionalização e integração nas cadeias de valor da ESA — como se reafirma o papel crescente de Portugal no ecossistema europeu de inovação espacial”, afirma Cornelis Eldering, responsável pelo Entrepreneurship and Business Incubation Office da agência europeia.
Cada contrato prevê a seleção e financiamento de até seis startups por ano, financiado através da subscrição de Portugal na ESA e por parceiros locais: as Câmaras Municipais de Coimbra e Oeiras, a CIM Região de Coimbra e a Agência Espacial Portuguesa. Está previsto um envelope de cerca de 2,8 milhões de euros, destinado principalmente ao incentivo financeiro às startups, criando condições para acelerar a maturidade tecnológica, o acesso a mentoria especializada e a consolidação de modelos de negócio das novas empresas.
Os primeiros concursos de seleção de startups do ESA BIC Centro+ e do ESA BIC Tagus+ deverão abrir já no primeiro semestre deste ano.