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Produção do 1º fármaco em Portugal abre caminho ao desenvolvimento de uma indústria do sector
 
Amílcar Falcão, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e consultor da farmacêutica portuguesa Bial, que desenvolveu um antiepiléptico que já comercializado para os EUA e Canadá, afirmou hoje que a produção do primeiro medicamento desenvolvido em Portugal abre caminho à fabricação de novos fármacos e ao desenvolvimento de uma indústria do sector. "A Bial tem várias moléculas em desenvolvimento que, suponho, poderão ter um sucesso tão grande ou maior do que teve esta primeira", afirmou, em declarações à agência Lusa este cientista, que na concepção do novo medicamente pôs em prática uma metodologia que está a dar os primeiros passos a nível internacional - a farmacometria.

Amílcar Falcão, que colabora com a Bial desde 2000, confessou que a integração nessa equipa da farmacêutica constitui para si uma descoberta, ao encontrar "pessoas extremamente competentes, extremamente eficazes, que pensava que não existiam".

"Do meu ponto de vista abriu-me horizontes que não tinha; conhecia-os teoricamente. Deu-me uma percepção distinta das coisas. Isso comprova que o sistema português de investigação, e a forma como a academia se relaciona com as empresas, não é saudável e não proporciona o avanço que gostaríamos que houvesse", explicou.

A experiência de desenvolvimento de um fármaco em Portugal veio revelar que no país "há capacidade instalada para desenvolver coisas desta dimensão, e o que é preciso é dar oportunidade para que elas surjam".

Trata-se de uma área que Portugal deve desenvolver do ponto de vista industrial, sustentou Amílcar Falcão, acrescentando que as competências utilizadas na produção do medicamento estão no país, e o que é preciso é dar-lhe oportunidade de participar em futuros projectos, em vez de recorrer ao estrangeiro.

O êxito conseguido pela Bial "vai impulsionar novas apostas nesta área", porque o que fez "dá-lhe uma imagem distinta para o resto do mundo. Torna-a um parceiro credível", abre-lhe a possibilidade de ter relações com a indústria internacional, sublinhou, em declarações à agência Lusa.

Entrar para a lista das 50 primeiras europeias da indústria farmacêutica "tem um valor muito importante", acrescentou.

"Temos de ter a noção de que temos de aproveitar este bom exemplo e reproduzi-lo com inteligência. Não se pense que foi conseguido em dois dias, e sem muito trabalho. Houve risco empresarial, visão estratégica e elevado investimento", advertiu Amílcar Falcão.

A Bial já assinou um contrato com uma farmacêutica norte-americana que irá introduzir esse medicamento para tratamento da epilepsia (acetato de eslicarbazepina) nos mercados dos EUA e Canadá, em 2009, recebendo como contrapartida 120 milhões de euros pela cedência da licença para esses dois mercados.

Nos últimos dez anos a Bial investiu 300 milhões de euros em investigação e está actualmente a desenvolver mais cinco medicamentos.

Fonte: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/eda4dbf94e5ed52c4945e5.html
 
Inserido em 20-05-2008
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