Painel Principal  :  Notícias (Histórico)  :  Investigadores da...
Notícias - Histórico
 
  Aceleradora   Bolsas & Empregos IPN   Formação  
  Geral   Incentivos   Incubadora   Laboratórios de I&DT   Notas de Imprensa   Prémios   Transf. Tecnologia e PI  
 
Investigadores da FCTUC e FLUC desenvolvem simulador de populações em territórios reais
 
Porque é que as vilas, cidades e estradas estão nos sítios onde estão e muitas delas vêm desde o tempo dos romanos ou como se propagam algumas doenças? São algumas das perguntas a que o projecto MATER – Modelos de Auto-organização Territorial visa dar resposta. Uma equipa interdisciplinar da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), desenvolveu um modelo computacional que permite perceber com é que as populações ocupam territórios, organizando-se autonomamente para lidar com as características do espaço territorial.

O modelo permite simular o povoamento de um território, incluindo a criação de aglomerados, vias de comunicação e os fluxos migratórios internos, mas pode servir de base a simulações mais complexas que incluam a propagação de doenças, conteúdos culturais e religiosos e migrações políticas, entre outras questões sociais.

"Fazemos uma simulação em que populações artificiais ocupam o território, adaptam-se as características do relevo e da hidrografia, que modulam assim os seus movimentos", disse ao Ciência Hoje Joaquim Ramos de Carvalho, coordenador do projecto.

O modelo, que pode ser aplicado não só a Portugal mas a qualquer sítio que tenha mapeados o relevo e a hidrografia, tem segundo o responsável "um interesse interpretativo e histórico, uma vez que permite saber porque é que as coisas são como são. É a primeira vez que se usa a simulação para explicar a lógica da ocupação histórica de um território", salientou.

O MATER é apoiado num mecanismo simples de escolha de orientações adequadas à ocupação humana, em que agentes artificiais provocam resultados muito próximos da realidade. No entanto, impõe uma elevada complexidade no desenvolvimento de modelos informáticos, no cruzamento da simulação computacional, sistemas de informação geográfica e análise histórica e arqueológica de um território real, seja ele qual for, para então se perceber o sistema de ocupação territorial por populações humana.

Melhorar a interpretação histórica

Ao nível das aplicações, os investigadores prevêem situações em que vai ser possível, por exemplo, orientar pesquisas e prospecções arqueológicas num determinado sentido com base nas indicações do modelo, e outras em que vai ser possível testar determinadas teorias e efeitos históricos. "Como a simulação reproduz as populações e as suas deslocações podemos simular o que aconteceria se uma ideia, uma tecnologia ou uma doença começasse num determinado sítio", explicou Joaquim Ramos de Carvalho.

"Esperamos que este modelo ajude a interpretar realidades históricas, a explicar a sua lógica geográfica e que ajude a testar teorias sobre o que sabemos sobre as populações do passado e a forma como interagem com o território. Vemos o modelo como uma banca de ensaio onde podemos testar muitas hipóteses", acrescentou.

Para o investigador, uma aplicação diferente para o MATER seria ao nível dos populares jogos de computador em que os objectivos são construir uma cidade ou trabalhar na ocupação e desenvolvimento de um território. "São jogos como o 'SimCity', o 'Civilization' ou o 'Age of Empires'. Envolvem simulações que muitas vezes não são muito científicas, sobretudo quando se trata de temas históricos. Pensamos que este modelo pode trazer versões mais realistas, mais interessantes, no fundo, fazer produtos mais sérios", disse o investigador. "Hoje em dia há um bocado a ideia de que os jogos são contrários à aprendizagem, mas não é verdade. Os jogos permitem transmitir noções muito complexas sobre como funciona a realidade", frisou.

O projecto é financiado pelo Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra, um organismo vocacionado para a promoção da investigação interdisciplinar na Universidade de Coimbra.

Fonte: CiênciaHoje
 
Inserido em 08-04-2008
Temas relacionados <Geral