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Cientistas da FTUC lideram projecto europeu na área da epilepsia
 
Uma equipa de cientistas da Faculdade de Ciência e Tecnologia de Coimbra (FTUC) está a desenvolver um sistema de alarme inteligente e transportável para pacientes com epilepsia, que visa melhorar a qualidade de vida dos doentes epilépticos que não podem ser tratados com fármacos.
O projecto EPILEPSIAE, liderado por investigadores do Centro de Informática e Sistemas da Universidade Coimbra (CISUC), visa desenvolver pela primeira vez um sistema capaz de prever uma crise epiléptica e avisar o doente antes que esta ocorra.



Com um orçamento global de quatro milhões de euros, o EPILEPSIAE -Evolving Platform for Improving Living Expectations of Patients Suffering from Ictal Events (http://www.epilepsiae.eu/) é um projecto único na Europa e tem como parceiros os Hospitais da Universidade de Coimbra, o Centro Nacional de Investigação Científica de França, a Universidade Pierre et Marie Curie e o Laboratório de Neurociências Cognitivas do Hospital Pitié – La Salpêtrière (França), a Universidade Albert Ludwigs e o Hospital Universitário de Friburgo (Alemanha). A empresa italiana Micromed será responsável pela fabricação do equipamento no final da investigação, dentro de três anos.

O projecto partiu da colaboração do CISUC com os especialistas da Clínica de Epilepsia dos HUC, no âmbito dos Projectos de Engenharia Biomédica, em que se constatou a necessidade de desenvolver um dispositivo não invasivo e transportável, capaz de reduzir as graves limitações dos doentes.

Segundo António Dourado, coordenador do projecto, o objectivo central é encontrar soluções tecnológicas de informação e comunicação capazes de prever o surgimento de uma crise de epilepsia. "A informação obtida vai chegar em primeiro ao lugar ao doente, que transporta além dos eléctrodos à superfície da pele do cérebro, um computador que analisa os sinais eléctricos e faz a previsão de uma crise. A nossa intenção é que o sistema envie então um alarme, sonoro ou de sob outra forma, para que o doente saiba que vai ter uma crise dentro de algum tempo e que deve agir para preservar a sua segurança e a sua privacidade", explicou ao Ciência Hoje o responsável.

A equipa está a desenvolver algoritmos de inteligência computacional para detectar as crises epilépticas com alguma antecedência, com vista à criação de um dispositivo, discreto, transportado pelo doente, medindo em permanência, através do electroencefalograma e electrocardiograma não invasivos, o estado neuronal do doente.

No futuro, o sistema individual poderá também accionar um alarme no hospital a que o paciente está afecto ou evoluir para outros mecanismos de alarme, prevenção e até tratamento.

"O difícil é conseguir conhecimento científico e informação tecnológica que permita com segurança garantir a fiabilidade deste sistema", disse António Dourado. "A longo prazo a questão que se coloca é saber se é possível agir sobre o próprio cérebro no sentido de impedir uma crise epiléptica. Neste momento não existe nem método nem conhecimento suficiente para isto. É preciso conhecer mais a fundo a epilepsia e a partir daqui desenvolver novas formas para a abordar", acrescentou.

A equipa está também a participar no desenvolvimento de uma Base de Dados Europeia de Epilepsia que registe a informação multisensorial recolhida dos pacientes, a ser usada para o desenvolvimento do conhecimento através de técnicas avançadas de exploração de dados (Semantic mining).

"Esperamos que, se o processo tiver sucesso - porque ainda é um projecto de alto risco e precisa de muita investigação - seja possível mudar completamente a qualidade de vida dos doentes. Este sistema vem permitir que as pessoas possam assumir responsabilidades sociais, do ponto de vista profissional e pessoal, com confiança e sem estar sujeitas a ter uma crise imprevista em público ou que as coloque em perigo", frisou António Dourado.

Segundo os investigadores, a epilepsia é a doença neurológica mais frequente. Na Europa existem, actualmente, seis milhões de epilépticos e, de acordo com estudos efectuados, prevê-se que 15 milhões de pessoas possam vir a sofrer da doença em alguma altura das suas vidas.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=25791&op=all
 
Inserido em 01-04-2008
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