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Investigadores de Coimbra estudam cancro do pulmão
 
Quem vive junto a estradas ou fábricas desenvolve um tipo específico de cancro do pulmão que investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a estudar para estabelecer estratégias preventivas e de tratamento da doença.
A investigação, que se desenvolve há um ano e meio sob coordenação da Maria Cármen Alpoim, do Departamento de Bioquímica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), centra-se no estudo dos mecanismos do cancro do pulmão provocado por inalação de Crómio Hexavalente.

De acordo com uma nota do gabinete de imprensa da FCTUC hoje divulgada, com o estudo dos mecanismos de evolução das células para a fase maligna, através de múltiplas técnicas de biologia molecular, pretende-se «estabelecer estratégias profilácticas e técnicas de tratamento capazes de impedir o avanço deste tipo de cancro».

«Há uma relação directa entre a inalação de nanopartículas de crómio hexavalente e o desenvolvimento do cancro do pulmão. É um subtipo específico de cancro de pulmão com características genéticas diferentes do cancro dos fumadores», refere Maria Cármen Alpoim.

O estudo, intitulado «mecanismos de indução do cancro de pulmão pelo crómio hexavalente», está a ser realizado em «linhas celulares não tumorais» e consiste em «mimetizar as condições ambientais» através da exposição a baixas e continuadas concentrações de crómio hexavalente.

A exposição ocupacional, nomeadamente dos trabalhadores das indústrias de curtumes ou metalomecânicas, e não ocupacional, com seja a indirecta em zonas circundantes à queima de resíduos perigosos e de combustíveis fósseis, como é o caso de uma via de grande circulação automóvel, são condições ambientais que os investigadores consideram propícias para o desenvolvimento destas patologias cancerígenas.

Actualmente, os investigadores estão a entrar numa segunda fase do projecto, que é a implementação in vitro do «processo de malignização», ou seja, na procura de um modelo que permita arranjar marcadores específicos para as diversas fases das mutações que vão gerar a doença, explicou à agência Lusa a investigadora.

Maria Cármen Alpoim realçou que o padrão genético deste carcinoma é diferente dos do tabaco e amianto, embora a zona afectada do pulmão seja semelhante.

«Se tem um mecanismo de desenvolvimento diferente, o tratamento terá de ser também diferente», sublinhou, à agência Lusa.

A opção por prosseguir a investigação com testes in vitro - acrescentou - teve a ver com o facto de os animais utilizados em laboratório - ratos -, não serem semelhantes aos humanos em termos respiratórios.

Para a investigadora, este trabalho centrado na área da saúde deverá ser acompanhado por outros que visem diminuir os efeitos de risco, nomeadamente nas fábricas com o tratamento de resíduos e a exposição dos trabalhadores nas fases de fabrico, nas emissões dos automóveis e até no destino final do resíduos industriais depositados em aterros.

«Há necessidade de uma vigilância e controlo constantes dos índices de crómio nas indústrias e nas suas áreas envolventes», salientou.

Esta investigação tem sido realizada em colaboração com a Faculdade de Medicina de Coimbra e com a Universidade de Barcelona, onde um estudante de doutoramento português estuda a internalização do crómio nas células.

fonte: Diário Digital / Lusa
(http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=60&id_news=308760)
 
Inserido em 12-12-2007
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